Fundamentos e Fluxo Transacional
Esta seção detalha a base conceitual do padrão EMV, o papel do HSM na infraestrutura de chaves e como a troca de mensagens ocorre na prática durante uma transação.
O que é EMV?
EMV é o padrão internacional para transações com cartões chip, originalmente estabelecido por Europay, Mastercard e Visa, e atualmente mantido pelo consórcio EMVCo. O padrão especifica as regras de autenticação entre o cartão e o terminal por meio de criptogramas.
A Necessidade do HSM
O pilar da segurança EMV baseia-se nas Chaves Mestras do Emissor (Issuer Master Keys, ou MK), que são armazenadas em hardware criptográfico seguro.
Através destas chaves mestras, o emissor deriva chaves únicas por cartão e por transação. Como as chaves mestras jamais devem ser expostas em texto claro, toda operação de validação ou geração de criptograma precisa ser executada rigorosamente dentro do ambiente criptográfico. O módulo Hop V4 expõe essas operações via API REST, garantindo a manutenção da cadeia PCI HSM de ponta a ponta.
Os Criptogramas do Fluxo EMV
Em um fluxo típico de autorização, quatro tipos principais de criptogramas podem interagir:
ARQC
Authorization Request Cryptogram
Gerado pelo cartão. Transportado no campo 55 da ISO 8583 (tag 9F26). Indica que o cartão está solicitando autorização online ao emissor.
ARPC
Authorization Response Cryptogram
Gerado pelo emissor como resposta ao ARQC. Confirma ao cartão que a resposta do emissor é legítima. É justamente o que o endpoint GenerateARPC4x produz.
TC
Transaction Certificate
Gerado pelo cartão ao final de uma transação offline aprovada. Garante a integridade da transação para posterior captura.
AAC
Application Authentication Cryptogram
Gerado pelo cartão quando a transação é negada (offline ou online). Encerra o fluxo EMV.
ARQC e ARPC no Fluxo Transacional
Para integrar a API, é necessário compreender onde os endpoints se encaixam em uma autorização típica de crédito ou débito.
Atores e Sequência de Mensagens
Cartão (chip): Gera o ARQC a partir dos dados da transação e da chave derivada da MK do emissor.
Terminal (POS / maquininha): Monta o campo 55 com as tags EMV e encaminha a autorização para o adquirente.
Adquirente e Bandeira: O adquirente encaminha a autorização para a bandeira, que roteia para o emissor.
Emissor (backend): Recebe a autorização, valida o ARQC via Hop, toma a decisão de autorização e gera o ARPC via Hop para retornar ao cartão.
Hop V4 (Módulo EMV): Atua como HSM-as-a-service que executa a validação e geração de criptogramas com as chaves mestras do emissor.
Sequência do Fluxo de Autorização Online
O fluxo abaixo apresenta, de forma linear, as trocas entre os atores:
O Cartão chip gera o ARQC (tag 9F26) e os dados EMV (campo 55) e envia ao Terminal.
O Terminal encaminha a mensagem ISO 8583 com o campo 55 passando pelo Adquirente e pela Bandeira até chegar ao backend do Emissor.
O Emissor aciona a Hop V4 (
POST /v4/PayShieldEMV/ValidateARQC4x) para que o ARQC seja validado contra a chave mestra do cartão .Com a resposta, o Emissor toma a decisão de autorização (aprovar ou negar).
O Emissor aciona novamente a Hop V4 (
POST /v4/PayShieldEMV/GenerateARPC4x) para gerar o ARPC com base no ARC ou CSU.O Emissor devolve a resposta ISO 8583 com o ARPC transportado no campo 55 (tag 91), que trafega pela Bandeira e Adquirente até o Terminal .
O Terminal repassa o ARPC e o status ao Cartão, que valida o ARPC e encerra a transação.
Otimização:
Validar e Gerar em uma Única Chamada É possível combinar as etapas 3 e 5 em uma única chamada ao Hop, utilizando modos de operação que validam o ARQC e já geram o ARPC no mesmo request. Em cenários de alto volume (ex.: autorização de débito em tempo real), combinar validação e geração na mesma chamada (mode=1,3,5) tipicamente reduz em aproximadamente metade o tempo total gasto no serviço criptográfico, por evitar o round-trip adicional.
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